TDAH em Mulheres: Por Que Ele É Mais Silencioso e Tão Exaustivo

TDAH EM MULHERES

Introdução

Durante muito tempo, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade foi visto como algo típico de meninos. Agitação, impulsividade e comportamentos disruptivos chamavam atenção na escola e levavam ao diagnóstico precoce. Enquanto isso, milhares de meninas cresciam sem saber que também tinham TDAH. Não porque o transtorno fosse menos real nelas, mas porque ele se manifestava de forma diferente, mais silenciosa, mais interna e mais invisível.

O resultado foi uma geração de mulheres que passaram anos se sentindo inadequadas, cansadas, confusas e culpadas, sem entender o motivo.

O TDAH feminino não é menos intenso, ele é mais interno

Como mostra o material em anexo, o TDAH em mulheres tende a se expressar menos pela hiperatividade física e mais por sintomas internos, como ansiedade constante, confusão mental, sensação de sobrecarga, baixa autoestima e dificuldade de organizar pensamentos e emoções.

Essas mulheres muitas vezes não causam problemas para os outros, mas vivem um verdadeiro caos silencioso por dentro. Desde cedo, aprendem a se esforçar mais para compensar o que o cérebro não consegue fazer automaticamente.

A pressão social que mascara os sintomas

Um ponto central do conteúdo enviado é a pressão social sobre o comportamento feminino. Meninas são ensinadas a ser organizadas, calmas, responsáveis e agradáveis.

Quando o cérebro com TDAH não acompanha essas expectativas, a menina não é vista como alguém que precisa de ajuda, mas como alguém que precisa se esforçar mais.

Então ela se esforça. E muito.

Esse esforço constante cria uma máscara. O TDAH fica escondido, mas o custo emocional é alto. Exaustão crônica, sensação de fracasso e autocrítica intensa passam a fazer parte da rotina.

Sintomas comuns do TDAH em mulheres

No dia a dia, o TDAH feminino costuma aparecer como dificuldade de manter rotinas, dificuldade em definir prioridades, sensação de estar sempre atrasada para a própria vida, esquecimento frequente, desorganização mental mesmo com aparência organizada, instabilidade emocional e procrastinação acompanhada de culpa.

Muitas mulheres descrevem a sensação de dar conta de tudo por fora, mas estar sempre à beira do colapso por dentro.

Diagnóstico tardio: alívio e revolta

Como o material destaca, o diagnóstico tardio é muito comum em mulheres. Muitas só descobrem o TDAH na vida adulta, após anos de sofrimento emocional.

Quando o diagnóstico chega, ele costuma trazer sentimentos mistos. Alívio por finalmente entender que não é falha de caráter e revolta por perceber quanto tempo passou sem reconhecimento ou apoio.

Frases como “Como ninguém percebeu antes?” são extremamente frequentes.

O impacto do TDAH feminino na vida adulta

O TDAH em mulheres afeta diversas áreas da vida.

No trabalho, surgem dificuldades com tarefas repetitivas, procrastinação intensa, medo de não dar conta e sensação constante de estar aquém do esperado.

Nas relações, aparecem a hipersensibilidade emocional, o medo de decepcionar, a cobrança excessiva e a dificuldade em impor limites.

Na saúde mental, a sobrecarga constante pode levar à ansiedade, depressão, burnout e sensação persistente de inadequação. Isso não acontece porque o TDAH causa tudo isso diretamente, mas porque viver anos tentando ser quem o cérebro não consegue sustentar cobra um preço alto.

Reconhecer é libertador

Um dos pontos mais importantes do conteúdo em anexo é a ideia de que reconhecer o TDAH não rotula, mas liberta.

Dar nome ao que acontece permite buscar estratégias adequadas, buscar tratamento correto, parar de se culpar e entender que não se trata de falha de caráter.

O TDAH feminino não é preguiça, falta de força de vontade ou desorganização moral. Ele é um funcionamento cerebral diferente, que precisa de compreensão e não de julgamento.

Olhar para o passado para acolher o presente

O exercício proposto no material, que convida a revisitar a infância e a adolescência, é extremamente poderoso. Muitas mulheres se lembram de momentos em que se sentiram diferentes, inadequadas ou sobrecarregadas.

Ao olhar para essas memórias com o conhecimento atual, algo muda. A culpa dá lugar à compaixão.

Conclusão

O TDAH em mulheres existe, é real e merece reconhecimento. Ele não grita. Ele sussurra. E, justamente por isso, foi ignorado por tanto tempo.

Entender esse funcionamento muda tudo. Muda a forma como a mulher se enxerga, se trata e constrói a própria vida. Talvez nunca tenha existido algo errado com você. Talvez sempre tenha sido apenas um cérebro funcionando de forma diferente, tentando sobreviver em um mundo que não foi feito para ele.

Referências

American Psychiatric Association. (2013). DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

Barkley, R. A. (2015). Attention-Deficit Hyperactivity Disorder: A Handbook for Diagnosis and Treatment. Guilford Press.

Quinn, P. O., & Madhoo, M. (2014). A review of attention-deficit/hyperactivity disorder in women and girls: uncovering this hidden diagnosis. Primary Care Companion for CNS Disorders, 16(3).

Silva, A. B. B. (2018). Mentes Inquietas: TDAH, desatenção, hiperatividade e impulsividade. Editora Objetiva.

Comunidade Ser Humano Sustentável. (s.d.). O TDAH Feminino não é Menos Real. Ele só é mais Invisível.

Picture of Dra. Ana Beatriz Barbosa

Dra. Ana Beatriz Barbosa

Médica graduada pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) com residência em psiquiatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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