TDAH Tipo Combinado em Mulheres: Desatenção e Impulsividade

TDAH Tipo Combinado em Mulheres Desatenção e Impulsividade

Introdução

O TDAH Tipo Combinado em mulheres é uma das formas mais complexas e exaustivas do transtorno. Ele reúne sintomas de desatenção e impulsividade, criando um padrão intenso de funcionamento mental. No entanto, apesar da intensidade, muitas mulheres passam anos sem diagnóstico.

Elas aprendem a compensar. Aprendem a mascarar. Aprendem a parecer organizadas por fora, mesmo vivendo um turbilhão por dentro.

O resultado é uma exaustão silenciosa que atravessa relações, trabalho, maternidade e identidade.

Por que o diagnóstico é mais tardio nas mulheres?

O TDAH foi historicamente estudado em meninos hiperativos. Assim, o modelo clássico de diagnóstico se baseou em comportamentos visíveis, como agitação física e impulsividade evidente.

Nas mulheres, o padrão costuma ser diferente:

  • hiperatividade mental, não corporal
  • impulsividade emocional
  • desatenção silenciosa
  • sobrecarga interna

Além disso, meninas tendem a ser socialmente treinadas para se adaptar. Elas observam, imitam e compensam. Esse esforço de adaptação adia o diagnóstico por anos.

Muitas só descobrem o TDAH após os 30 ou 40 anos, geralmente depois de crises de ansiedade, burnout ou dificuldade extrema na maternidade.

Diferenças hormonais e impacto no TDAH

Os hormônios femininos influenciam diretamente a dopamina, neurotransmissor central no TDAH.

O estrogênio ajuda a regular a dopamina. Quando seus níveis caem, os sintomas tendem a piorar.

Isso significa que mulheres com TDAH Tipo Combinado podem perceber:

  • piora dos sintomas na TPM
  • aumento da irritabilidade
  • maior impulsividade
  • dificuldade de concentração antes da menstruação
  • agravamento na menopausa

Portanto, o TDAH feminino não é estático. Ele oscila conforme o ciclo hormonal.

Máscara social e esforço para parecer organizada

Muitas mulheres desenvolvem o que chamamos de máscara social compensatória.

Elas criam sistemas rígidos para funcionar:

  • listas excessivas
  • alarmes constantes
  • agendas hiperestruturadas
  • esforço extremo para não esquecer nada

Por fora, parecem altamente organizadas. Por dentro, vivem em alerta permanente.

Esse esforço contínuo gera desgaste mental intenso. A máscara sustenta a imagem social, mas drena energia emocional.

Exaustão mental feminina no TDAH

A combinação de desatenção e impulsividade gera uma sobrecarga cognitiva constante.

A mulher com TDAH Tipo Combinado costuma:

  • pensar em múltiplas coisas ao mesmo tempo
  • sentir urgência contínua
  • iniciar tarefas sem concluir
  • se arrepender de decisões impulsivas
  • viver ciclos de produtividade extrema seguidos de queda brusca

Essa montanha-russa mental leva à exaustão. E como muitas continuam funcionando, o sofrimento passa despercebido.

Relação entre TDAH combinado e ansiedade em mulheres

Existe alta comorbidade entre TDAH e ansiedade.

Muitas mulheres recebem diagnóstico inicial de ansiedade ou depressão. No entanto, em vários casos, a ansiedade surge como consequência do TDAH não tratado.

A lógica é simples:

  • esquecer compromissos gera medo
  • perder prazos gera tensão
  • falhas repetidas geram insegurança
  • impulsividade gera arrependimento

Com o tempo, a mente vive em estado de alerta constante.

Assim, a ansiedade muitas vezes não é a causa principal, mas o resultado de anos tentando compensar o TDAH.

TDAH e ciclo menstrual

Durante a fase pré-menstrual, ocorre queda de estrogênio e aumento da sensibilidade emocional.

Mulheres com TDAH relatam:

  • piora significativa da desatenção
  • maior impulsividade
  • irritabilidade acentuada
  • sensação de descontrole

Esse padrão é tão frequente que alguns estudos discutem a relação entre TDAH e Transtorno Disfórico Pré-Menstrual.

Compreender essa oscilação ajuda a reduzir culpa e melhora o planejamento da rotina.

TDAH em mães

A maternidade amplifica os sintomas.

A rotina imprevisível, a sobrecarga mental e a responsabilidade constante exigem funções executivas intensas, exatamente a área mais afetada no TDAH.

Mães com TDAH Tipo Combinado podem sentir:

  • culpa constante
  • medo de falhar
  • dificuldade de manter organização doméstica
  • exaustão crônica
  • hipersensibilidade emocional com os filhos

No entanto, também costumam ser criativas, afetivas e intensamente conectadas emocionalmente.

O problema não é falta de amor. É sobrecarga neurológica.

Sobrecarga emocional e culpa feminina

A sociedade cobra da mulher organização, equilíbrio emocional e eficiência multitarefa.

Quando o cérebro não acompanha essa expectativa, nasce a culpa.

A mulher passa a acreditar que:

  • é desorganizada demais
  • é emocional demais
  • não é boa o suficiente

Essa narrativa interna é uma das consequências mais dolorosas do TDAH não reconhecido.

Conclusão

O TDAH Tipo Combinado em mulheres não é exagero, não é falta de disciplina e não é drama emocional.

É um padrão neurobiológico que mistura desatenção, impulsividade e oscilação emocional em um contexto social que exige perfeição feminina.

Reconhecer esse funcionamento transforma a forma como a mulher se enxerga. O diagnóstico não limita. Ele explica.

Talvez você não seja intensa demais. Talvez esteja apenas vivendo anos com um cérebro que funciona em outra frequência, tentando sobreviver em silêncio.

Referências

American Psychiatric Association (2013). DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.
Barkley, R. A. (2015). Attention-Deficit Hyperactivity Disorder: A Handbook for Diagnosis and Treatment.
Quinn, P. O., & Madhoo, M. (2014). ADHD in women and girls: clinical implications.
Nadeau, K., Littman, E., & Quinn, P. (2016). Understanding Women with ADHD.
Silva, A. B. B. (2018). Mentes Inquietas.

Picture of Dra. Ana Beatriz Barbosa

Dra. Ana Beatriz Barbosa

Médica graduada pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) com residência em psiquiatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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