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Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva

Quando a Realidade se Rompe: Como a Psicose Altera a Mente

Quando a Realidade se Rompe Como a Psicose Altera a Mente

Introdução

A mente humana é um vasto universo de interpretações, memórias e percepções. No entanto, quando alguém atravessa um episódio psicótico, esse equilíbrio se rompe. A psicose transforma a forma como a realidade é percebida, muitas vezes de maneira intensa e perturbadora.

Durante esse estado, pensamentos desconexos, delírios e alucinações substituem a lógica habitual, fazendo com que o indivíduo enxergue o mundo por uma lente distorcida. Embora a psicose seja uma condição desafiadora, ela não representa uma sentença definitiva.

Neste artigo, vamos entender o que é a psicose, como ela afeta a percepção da realidade e quais os caminhos possíveis para tratamento e recuperação.

O Que é a Psicose?

A psicose não é uma doença isolada, mas sim um conjunto de sintomas que refletem uma perda significativa do contato com a realidade. Esses sintomas podem aparecer em diferentes transtornos mentais, como a esquizofrenia, o transtorno bipolar e a depressão psicótica, bem como em decorrência do uso de substâncias.

Entre os principais sintomas, destacam-se:

  • Delírios: Crenças falsas mantidas com convicção, mesmo diante de evidências contrárias.
  • Alucinações: Percepções sensoriais sem estímulo real, especialmente auditivas.
  • Pensamento desorganizado: Dificuldade de manter um raciocínio lógico e coerente.
  • Comportamento catatônico ou agitado: Postura rígida, falta de reação ou movimentos imprevisíveis.

De modo geral, essas manifestações comprometem diretamente a forma como o indivíduo interpreta o mundo ao seu redor.

Como a Psicose Altera a Realidade?

Durante um episódio psicótico, o cérebro interpreta estímulos internos e externos de maneira distorcida. Isso faz com que a percepção da realidade se torne subjetiva, desconectada dos padrões comuns de entendimento.

1. Alucinações e Delírios: Realidade Paralela

Ao ouvir vozes inexistentes ou acreditar que está sendo vigiado por entidades secretas, a pessoa em surto vive uma realidade que, embora não exista para os outros, é absolutamente real para ela. Essa desconexão compromete o senso de orientação e a capacidade de confiar nas próprias percepções.

2. Perda da Consciência de Si

Além das alterações perceptivas, a psicose também pode afetar o senso de identidade. Frequentemente, a pessoa acredita ser outra, estar sendo controlada ou possuir habilidades sobrenaturais. Esses episódios causam confusão profunda e angústia, especialmente quando não há compreensão ou acolhimento ao redor.

3. Desorganização do Pensamento

A mente, sob influência da psicose, perde a coerência lógica. O discurso se torna confuso, com ideias que não se conectam e frases sem sentido. Essa desorganização prejudica o diálogo e pode gerar isolamento, pois o indivíduo passa a ser incompreendido até por aqueles mais próximos.

Causas da Psicose

Diversos fatores podem desencadear episódios psicóticos. Entre os principais, destacam-se:

  • Transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia e transtorno bipolar.
  • Depressão severa, especialmente quando acompanhada de sintomas psicóticos.
  • Uso de substâncias psicoativas, como LSD, cocaína ou maconha em altas doses.
  • Traumas intensos ou estresse extremo, especialmente em pessoas com predisposição genética.
  • Alterações neurológicas, como tumores cerebrais ou epilepsia.

Por essa razão, compreender a origem da psicose é fundamental para definir a abordagem terapêutica mais eficaz.

A Psicose é Sempre Permanente?

Nem sempre. Em muitos casos, especialmente quando relacionada a estresse agudo ou ao uso de substâncias, a psicose pode ser transitória e totalmente reversível. Quando o tratamento é iniciado de forma precoce, as chances de recuperação aumentam significativamente.

Por outro lado, em transtornos como a esquizofrenia, o acompanhamento contínuo é indispensável para evitar recaídas e promover estabilidade. Dessa forma, o cuidado multidisciplinar se mostra essencial.

Como a Psicose Pode Ser Tratada?

O tratamento da psicose é possível e envolve diferentes estratégias combinadas, que visam restaurar o contato com a realidade e promover qualidade de vida.

1. Medicamentos Antipsicóticos

Remédios como risperidona, quetiapina e olanzapina são comumente utilizados para reduzir os sintomas psicóticos, estabilizando a percepção do indivíduo. Eles atuam principalmente sobre os neurotransmissores dopamina e serotonina.

2. Psicoterapia e Acompanhamento Psicológico

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é eficaz para trabalhar com a reconstrução da lógica de pensamento e o enfrentamento de delírios. O psicólogo auxilia o paciente a compreender suas experiências e desenvolver formas de lidar com elas.

3. Apoio Familiar e Social

A família tem papel essencial na recuperação. O acolhimento, a paciência e a escuta ativa ajudam o paciente a se sentir seguro e amparado. Além disso, grupos de apoio e projetos de reintegração social oferecem suporte para o retorno à rotina e à autonomia.

4. Estilo de Vida e Prevenção de Recaídas

Cuidados com o sono, a alimentação e o estresse também são importantes. A prática de exercícios físicos, atividades criativas e rotinas estruturadas ajudam na estabilidade emocional e na prevenção de novos surtos.

Conclusão

A psicose representa uma profunda ruptura na percepção da realidade, gerando sofrimento e afastamento social. No entanto, com diagnóstico precoce, tratamento adequado e apoio emocional, é possível superar os episódios e retomar uma vida funcional e significativa.

Compreender que o indivíduo em psicose não escolhe pensar ou agir daquela forma é um passo essencial para o acolhimento e o fim do estigma. A escuta, o respeito e o tratamento certo reconectam o ser humano à sua essência, mesmo quando a mente insiste em se perder entre sombras.

Dra. Ana Beatriz Barbosa

Dra. Ana Beatriz Barbosa

Médica graduada pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) com residência em psiquiatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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