Timidez, dá um tempo


Autoria: Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva.

* Dra Ana Beatriz Barbosa Silva (Médica Psiquiatra, CRM/RJ 5253226/7)

Entrevistas de emprego, falar em público, encontros afetivos, festas surpresas deixam muitas pessoas tímidas ou tensas, com o coração acelerado, a face corada e aquele friozinho na barriga. Essa ansiedade costuma passar rapidamente durante ou logo após o término do evento social.

Embora a timidez não seja incapacitante, costuma se intensificar à medida que amadurecemos e nos deparamos com novos desafios. Com o decorrer do tempo, a timidez pode transformar toda uma existência e é capaz de estender seus “tentáculos” por todos os aspectos da vivência humana. Traz prejuízos nos planos acadêmicos, profissionais (reuniões, exposições de trabalhos, palestras etc.) e vida social/afetiva como dificuldades em relacionamentos e o estabelecimento de elos de amizade.

Identificamos a timidez pelo desconforto e pelas inibições que as pessoas apresentam em seus comportamentos quando estão diante de outras pessoas. Os tímidos ficam inibidos ou retraídos quando se deparam com o “novo”, principalmente em situações sociais e longe de pessoas de seu convívio. Eles costumam apresentar uma preocupação excessiva sobre os seus desempenhos sociais e também sobre o julgamento que as pessoas desconhecidas irão fazer de suas atitudes.

Os tímidos desejam se relacionar com os outros, mas não sabem como fazê-lo. Além disso, eles sofrem de baixa autoestima e apresentam medo intenso da rejeição, gerando grande sofrimento. Porém, eles não estão sozinhos. Estudos recentes apontam que 40% dos jovens se consideram tímidos e as taxas sobem para 1% ao ano.

A causa da timidez é multifatorial, que incluem basicamente o nosso temperamento (herança genética) e as nossas vivências acumuladas desde a mais tenra idade. Por sermos desafiados pela vida a enfrentar novas circunstâncias, a timidez se desenvolve conforme avançamos a idade.

Fobia Social: quando a timidez se torna uma doença

Timidez excessiva, persistente e com prejuízos de forma intensa nos setores vitais do indivíduo (social, acadêmica, afetiva e/ou profissional) é denominada fobia social ou timidez patológica. O fóbico social também possui um medo enorme de se sentir o centro das atenções, de estar sendo permanentemente observado negativamente, porém com muito mais intensidade que o tímido “normal”. Na maioria das vezes, o medo e a ansiedade começam muito tempo antes do evento social ocorrer e são desencadeados pela mera expectativa que o fóbico tem de vivenciá-lo e com preocupação excessiva do seu desempenho.

Situações corriqueiras como comer, escrever, falar em público, com estranhos ou com superiores geram tamanha ansiedade e desconfortos a ponto de serem evitadas.

O contato ou, simplesmente, a expectativa de contato com essas situações desencadeiam sintomas físicos como rubor facial (“vermelhidão no rosto”), sudorese intensa, tremores, tensão muscular, fala tremida, taquicardia, boca seca. Em casos mais graves o tímido patológico deixa de sair de casa e vive em completo isolamento, por medo absoluto de enfrentar situações sociais e de sofrer constrangimentos.

Geralmente a fobia social se inicia na adolescência e, se não for tratada, perdura por toda a vida. Esconder os sintomas por vergonha só aumenta o problema, pois atrasa o início do tratamento, que será mais eficaz quanto mais cedo for estabelecido e seguido pelo paciente.

Além disso, outros transtornos podem acompanhar a fobia social tais como a depressão e o abuso de álcool/drogas, agravando o quadro.

Como é o tratamento?

O transtorno é possível de ser superado, atingindo-se objetivos. Não há qualquer dúvida sobre a eficácia da combinação de medicação adequada e psicoterapia de linha cognitivo-comportamental (TCC).

As medicações ajudam a controlar a ansiedade exacerbada, especialmente aquelas mais intensas que se manifestam como os ataques de pânico. Isso facilita de forma decisiva para que as pessoas possam ser capazes de enfrentar as situações temidas e evitadas.

A TCC visa mudar as crenças errôneas que o fóbico social tem de si mesmo, ajudá-lo a enfrentar as situações que causam ansiedade, bem como “treiná-lo” em adquirir um melhor desempenho social.

Algumas dicas para superar timidez excessiva

O início exige empenho, dedicação e determinação. Mesmo que a princípio pareça desajeitado, tente fazer novos amigos, ouse “puxar” um papo com estranhos, participar de festas e reuniões, convidar alguém para um almoço, expor suas opiniões frente aos colegas de trabalho. Antes de apresentar uma palestra ou participar de uma reunião, treine o tempo que for preciso, em frente ao espelho, com familiares e amigos, até que se sinta preparado. Não tenha medo de errar, é assim que se aprende e diminui a ansiedade. Tenha a certeza de que superar aquilo que teme só tem um jeito: enfrentar o “inimigo”, mesmo que necessite de um “empurrãozinho”.

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