BIRDMAN


* Dra Ana Beatriz Barbosa Silva (Médica Psiquiatra, CRM/RJ 5253226/7).

Um filme perturbador, ora por seus exageros oníricos, ora por seus delírios que misturam a ficção e a realidade.

Triggan Thomson (Michael Keaton) vive um ator que fez fama e fortuna com um personagem de super-herói, o “Birdman”, por 20 anos, emplacando uma trilogia blockbuster. Às vésperas de estrear uma peça de teatro na Brodway, o ator se vê em crise existencial com suas inseguranças e seu desejo de ser reconhecido como um ator “de verdade”. Ao mesmo tempo, a voz de seu eterno super-herói – o homem pássaro -, o persegue e o chama para que volte, a fim de continuar com a fama e os superpoderes. Riggan mostra toda a sua fragilidade como um ator que se perde na fama e nas armadilhas do sucesso. Ao perceber que não poderá obter o mesmo reconhecimento de sua jornada cinematográfica e ao se sentir ameaçado por um jovem ator de teatro, Mike Shiner (Edward Norton), prestigiado pela crítica, mas egoísta e sem qualquer generosidade com seus parceiros de cena, Riggan começa a perder o controle da vida e se entrega à fuga confortável e inocente de ceder aos apelos mágicos e de seu super-herói.

bird_fotoO filme mostra o quanto um ator pode incorporar seus personagens e tê-los como uma roupa aderida a suas vidas e o quanto isso pode ser perturbador e alienante.

Longe de ser um filme extraordinário, Birdman tem um elenco talentoso, uma trilha sonora incomodativa e diálogos interessantes. Vale conferir, mas sem grandes expectativas. No fundo, ele fala de um tema comum a todos: a dificuldade de sermos nós mesmos em uma sociedade que valoriza poderosos, sejam eles reais ou imaginários.